Salvador, o ponto de partida
Antes de virar Prince Andre, ele era apenas André Boliveira — primo do ator Fabrício Boliveira, conhecido do público brasileiro por trabalhos no cinema e na TV. Nasceu em Salvador, Bahia, e cresceu cercado pela referência cultural mais rica do país: o samba-reggae, o axé, o pagode baiano, o afoxé. A Bahia entrou cedo no ouvido, e ficaria como memória sonora — para muito mais tarde reaparecer, transformada, em uma faixa de tech house britânico.
Itapema, 2009 — as batalhas de rima
Aos 17 anos, em 2009, ele se mudou para Itapema, no litoral norte de Santa Catarina. Foi ali que a música começou de verdade. As primeiras incursões aconteceram nas batalhas de rima — esses confrontos de freestyle que se espalharam pelas praças do Brasil inteiro, com MCs improvisando sobre instrumentais de faixas famosas.
O modelo, porém, logo deixou de bastar. Rimar sobre o beat de outro artista era um exercício, não uma carreira. Ele queria músicas autorais, queria construir um som inteiro — do kick à última camada de vocal. A solução foi prática e típica de uma geração: abriu o Fruity Loops e começou a fabricar seus próprios beats. As primeiras músicas autorais nasceram ainda em formato amador, no quarto, no fone de ouvido — mas já com o instinto de quem entendia que a obra precisava ser inteira.
Idade ao chegar em SCÉ em Itapema, em 2009, que começa de fato a história musical de Prince Andre — primeiro nas batalhas de rima, depois na produção autoral com o Fruity Loops.
Florianópolis, 2012 — o vocalista-produtor
Em 2012, a mudança para Florianópolis abriu uma nova fase. A capital catarinense, mais conectada à cena artística do Sul, ofereceu o que Itapema não tinha: outros artistas, casas de show, demanda por produção. Prince Andre começou a produzir beats para novos artistas locais e, paralelamente, montou um grupo no qual acumulava as funções de vocalista e produtor. Subia ao palco e, no dia seguinte, voltava ao estúdio improvisado para entregar instrumental para outro MC.
O modelo funcionou — até não funcionar mais. Conciliar carreira de artista com a demanda crescente de produções foi ficando insustentável. Era preciso escolher. E, por um tempo, ele escolheu o outro lado da mesa.
Puressencia, 2016 — o salto profissional
Em 2016, Prince Andre montou seu primeiro estúdio e fundou a Puressencia Produtora — o marco que ele próprio aponta como o momento da profissionalização. Não era mais o moleque de Itapema gravando no quarto: era um produtor musical com estrutura, com clientes, com fluxo de trabalho.
A Puressencia se tornou simultaneamente produtora e selo musical. Por ela passaram artistas locais e de todo o Brasil que encomendavam instrumentais ou álbuns completos. Em paralelo, a produtora abrigou o próprio lançamento solo de Prince Andre — o que faria dele, em poucos anos, uma das principais referências do rap em Santa Catarina.
Conciliar carreira de artista e produtor e atender a demanda começou a ficar difícil. Foi aí que foquei total na produção e montei a Puressencia, em 2016. Veio a profissionalização. — Prince Andre, em depoimento
A discografia solo
Depois de produzir para muitos artistas, veio a hora de voltar ao microfone — agora com a maturidade de quem dominava o outro lado do vidro do estúdio. A discografia solo começa com Swag, o primeiro single. Na sequência veio Autoconhecimento, o primeiro álbum. E em 2020, o EP Fatos — o trabalho mais marcante até então, lançado num momento em que ele já começava a se aproximar da música eletrônica.
Swag
O primeiro single sob o nome Prince Andre. A entrada no mercado como artista, depois de anos como produtor de bastidores.
Autoconhecimento
O disco de estreia. Consolida sua identidade como rapper e o coloca como referência da cena catarinense.
Fatos
O EP que marca a maturidade artística. Pouco depois desse trabalho começa a aproximação com a música eletrônica.
Da Da On
O primeiro release internacional. A estreia em uma das gravadoras mais influentes da música eletrônica mundial.
Hot Creations — o encontro com Ali Love
O encontro com a música eletrônica não foi um cálculo de carreira. Foi, segundo o próprio Prince Andre, uma paixão — e veio através da presença e da mentoria de Ali Love, que ele descreve como "um gênio da música". Ali Love é um dos principais compositores da dance music britânica contemporânea, com passagens por selos como Crosstown Rebels, Keinemusik e Defected, e colaborações com The Chemical Brothers, Justice, Camelphat e Róisín Murphy.
Quando Ali Love viajou ao Brasil com a esposa Naomi e a filha Juno para conhecer a família, descobriu — dentro de casa — um rapper pronto, que já tinha estúdio, discos e quilometragem de pista. As sessões aconteceram em Florianópolis, base atual de Prince Andre, e depois na Bahia, na casa do primo Fabrício Boliveira, com todos os primos fazendo backing vocals. O resultado foi Da Da On.
Da Da On
Ali Love & Prince Andre · Hot Creations · 2023
- Lançamento
- 10.02.2023
- BPM
- 126
- Tom
- Ré Maior
- Catálogo
- HOTC204
Lançada em 10 de fevereiro de 2023, a faixa traz versão original e dub. A gravadora a descreveu como uma fatia bastante singular de hip house brasileiro: linha de baixo poderosa, percussão inspirada no samba, apitos de Carnaval e as rimas efervescentes de Prince Andre — em português, com sotaque baiano, métrica de rap. Foi prensada em vinil 12" e distribuída em Beatport, Spotify, SoundCloud e Juno Download. Para um produtor que aprendeu o ofício rimando sobre instrumentais alheios numa praça de Itapema, prensar a própria voz em vinil pela mesma casa que abriga Jamie Jones é mais do que uma estreia — é fechamento simbólico de um ciclo.
Meu encontro e paixão pela música eletrônica de fato foi com a presença e mentoria de Ali Love, que é um gênio da música. A partir do lançamento de Da Da On, meu primeiro release internacional, eu estou mais maduro. — Prince Andre, em depoimento
O que vem por aí
Aos 34 anos, com mais de 15 anos de produção musical, três trabalhos solos, uma produtora consolidada em Santa Catarina e uma estreia internacional em uma gravadora referência do tech house, Prince Andre fala sobre o próximo álbum com a mesma clareza com que descreve sua trajetória: ele é totalmente imprevisível. Não dá pra saber para onde vai a próxima curva. Mas, como ele mesmo resume:
Se tem Prince Andre na música, eu sei que vem coisa boa. — Prince Andre
Trajetória em datas
Nasce em Salvador
André Boliveira nasce na capital baiana, em uma família que inclui o ator Fabrício Boliveira (primo) entre seus parentes próximos.
Mudança para Itapema (SC)
Aos 17 anos, deixa a Bahia e desembarca no litoral catarinense. Começa nas batalhas de rima sobre instrumentais conhecidos.
Primeiros beats no Fruity Loops
Insatisfeito em rimar sobre faixas alheias, mergulha na produção. Cria as primeiras músicas autorais em formato ainda amador.
Florianópolis
Muda-se para a capital. Começa a produzir para artistas locais e a se apresentar em casas de show com um grupo onde é vocalista e produtor.
Puressencia Produtora
Foca total na produção, monta seu primeiro estúdio e funda a Puressencia — produtora e selo musical. Marco da profissionalização.
Swag e Autoconhecimento
Lança o single de estreia Swag e, em seguida, o primeiro álbum Autoconhecimento. Torna-se referência em Santa Catarina.
EP Fatos
Lança o EP Fatos, seu trabalho mais marcante até então. Começa a aproximação com a música eletrônica via Ali Love.
Da Da On — Hot Creations
Lança Da Da On em parceria com Ali Love pelo selo britânico Hot Creations (HOTC204). Primeiro release internacional.
Próximo álbum
Mais maduro após a experiência internacional, prepara o próximo trabalho — descrito por ele mesmo como "totalmente imprevisível".